segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

TÉCNICOS DE ENFERMAGEM SÃO PRESOS APÓS SUSPEITAS DE MATAR PACIENTES INJETANDO DESINFETANTE NA VEIA


Além desse medicamento, o técnico aplicou desinfetante dez vezes na paciente de 75 anos, com uma seringa, apontaram as investigações. Segundo a Polícia Civil, as aplicações foram feitas no mesmo dia, após a paciente ter várias paradas cardíacas.

Em outra ocasião, o homem de 24 anos aproveitou que o sistema do hospital estava aberto na conta de um médico, receitou um medicamento "errado", buscou na farmácia, e aplicou nas três vítimas sem consultar a equipe médica.

Duas aplicações foram feitas no dia 17 de novembro do ano passado e uma no dia 1° de dezembro. Segundo a Polícia Civil, para disfarçar a autoria do crime, o técnico de enfermagem fazia massagem cardíaca nos pacientes para tentar reanimá-los.

A investigação corre sob sigilo por isso os nomes dos investigados não serão divulgados. O g1 tenta localizar o contato da defesa dos investigados.

De acordo com a diretora do Instituto Médico Legal, Márcia Reis, os pacientes tinham gravidades diferentes. Em todos os casos, a piora súbita das vítimas chamou a atenção do hospital e dos investigadores.

Nas imagens das câmeras de segurança da Unidade de Terapia Intensiva, onde os pacientes estavam internado, a Polícia Civil percebeu que os medicamentos eram aplicados em momentos de piora das vítimas.

As vítimas são:

uma professora aposentada de 75 anos, de Taguatinga;
um servidor público de 63 anos, do Riacho Fundo I;
um servidor público de 33 anos, de Brazlândia.

Em nota, a família da vítima de 63 anos disse que acreditava que a morte foi por causas naturais, até que, em 16 de janeiro, foi informada sobre o crime.

Também em nota, o Hospital Anchieta disse que, "ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos na Unidade de Terapia Intensiva", instaurou um comitê interno para investigar os casos e, a partir dos resultados, pediu a abertura de um inquérito policial.

Os ex-técnicos de enfermagem supostamente envolvidos nos crimes foram demitidos e as famílias das vítimas foram informadas, "prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora" (veja as íntegras das notas abaixo).

Prisões

De acordo com a Polícia Civil, as prisões dos ex-técnicos de enfermagem aconteceram no último dia 11. Na ocasião, os agentes também cumpriram três mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás.

A segunda fase da mesma operação foi deflagrada na última quinta-feira (15), quando foram apreendidos dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.

A Polícia Civil ainda apura se existem outros casos no Hospital Anchieta e em outras unidades de saúde aonde o homem de 24 anos atuou.

O que diz o Hospital Anchieta

"O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição.

Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.

Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026."


Fonte: G1

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